PROSOPOPÉIA

 

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Sunday, April 27, 2003

 
O jogo do Lula

Chico Alencar, deputado federal

Já que o presidente Lula adora futebol, vale comparar seu governo a uma partida do nosso esporte mais popular. Uma finalíssima de Campeonato Brasileiro.
Quatro meses de administração, que se completarão no dia do trabalhador, equivalem a seis minutos de jogo, no primeiro tempo. No início, um comentarista pode falar muito pouco sobre as equipes. O de Lula ainda se arruma em campo. Dá para perceber que o capitão do time, o camisa 10, tem comando e liderança. Orienta a equipe, distribui bem o jogo. Estrela da agremiação, insiste no espírito coletivo: ninguém pode ficar pensando apenas no seu brilho individual.
Enfrentando um adversário poderoso, estimulado pelas forças da especulação e da inflação, o time de Lula começa o jogo muito cauteloso. No setor econômico do campo não pareceu disposto a criar nada de novo até agora: joga para os lados, recua, toca a bola para evitar entrada dura de um zagueiro violento e frio, apelidado FMI. Conseguirá, com um bom meio campo, organizar jogadas de ataque? Afinal, o empate não interessa.
O time de Lula precisa partir para a busca do gol, penetrando seguidamente na área social. Esse é o seu forte, por aí vai se desenhar o caminho da vitória.
O barulho ensurdecedor da torcida, quando a equipe entrou em campo no dia 1º de janeiro, deu lugar a um comportamento menos ruidoso. Ocupando quase todo o anel do estádio nacional, ela está observando, atenta. Lula, seu xodó, cria da casa, formado nas divisões de base da vida áspera do povo, sabe que este é o jogo de sua vida: oportunidades de trabalho, de estudo, de moradia e de saúde dependem de como o seu time vai se comportar em campo. Em partida decisiva, qualquer erro é fatal e pode comprometer a conquista do título da distribuição de riqueza.
Até agora dá para continuar acreditando na vitória, apesar da justa apreensão de uma das facções mais exigentes da torcida petista, a dos servidores públicos. A equipe mostra vontade de acertar e tem muitos craques, mas o campo é ruim, esburacado pela dependência externa e por bolsões de miséria e insegurança crescente. Se os jogadores do time de Lula esquecerem da necessária pressão da galera, vão ficar enredados na retranca das forças conservadoras e oligárquicas, que em 500 anos de Brasil ganharam todos os campeonatos.

Frase do dia:
"A mulher descende de um macaco diferente dos homens", Rodrigo Santoro, ator, e sua teoria da evolução.

Friday, April 25, 2003

 
Agenda Perdida
Os dados foram divulgados pelo IBGE hoje: a taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,1 por cento em março, comparada a uma leitura de 11,6 por cento em fevereiro, refletindo mais uma vez os efeitos dos juros altos e do fraco crescimento econômico. Já são 2,515 milhões de desocupados. Até quando o ministro Palocci vai manter a política econômica do governo anterior é o que todos nós queremos saber. Inclusive o presidente Lula, que já revelou que sua bursite irá melhorar quando os juros caírem.
Tendo em vista recente documento divulgado pelo Ministério da Fazenda, além de a bursite de Luiz Inácio não melhorar, o presidente terá muita dor de cabeça nos próximos anos de mandato. O documento tem como base um outro, chamado ironicamente de Agenda Perdida, divulgado em setembro passado por um grupo de 17 economistas e cientistas sociais. Apartidária, de caráter extremamente neo-liberal, foi oferecida na ocasião a todos os candidatos à presidência – sem sucesso, diga-se de passagem.
Segundo Marcos Lisboa, um dos coordenadores do projeto e secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a Agenda não tem o objetivo de “discutir se o Estado deve ser maior ou não, mas sim qual o melhor desenho institucional para que a economia funcione”. Lisboa foi recentemente chamado de débil mental pela ecomomista petista Maria da Conceição Tavares, nome respeitado dentro do PT. A ex-deputada federal disse que pedirá explicações a Palocci.
Estaria Lula, ao recuperar a agenda perdida, dando uma demostração de lucidez e preparando o terreno para investir em educação e projetos de inclusão social? Só o tempo dirá. Até lá, a Agenda vai dar o que falar.

Thursday, April 24, 2003

 
Olá, amiguinhos! Como passaram o feriadão? Muitos ovos? Pelo visto o excesso de chocolate fez a galera sumir... A rapaziada não anda disposta nem para entrar nos blogs... Vamos lá, animação!

Letra do dia:

Eu Vi Gnomos
(Tihuana)

Gnomos eu vi lá em Marte, gnomos por todas as partes
Na relva, na selva crescente gnomos em torno da gente
Eles querem nos ajudar e nós não devemos temer
Gnomos ensinam a amar, gnomos nos fazem viver

Eu vi gnomos, eu vi duendes (2x)

Gnomos não fumam cigarro, cigarro só verde e amarelo
Gnomos ficam sossegados em baixo de seus cogumelos
E a população dos gnomos exorbita-se a cada segundo
Gnomos querem ajudar, vamos lá dominar os casmurros

Eu vi gnomos, eu vi duendes (2x)

Gnomos não nascem do pé, gnomos não brotam do chão
E a mente fluente é que é seu meio de reprodução
Gnomos são nossos amigos, gnomos não são perigosos
Gnomos são inofensivos e amigos dos mais grandiosos

Frase do dia:
"É um manifesto pela paz!", Syang, cantora, mostrando a calcinha para os fotógrafos numa pizzaria.

Friday, April 11, 2003

 
Dicionário Carioca

A
Aê: 1. Advérbio de lugar ("A parada está por aê). 2. Vocativo genérico "Aê, tu viu a parada?). 3. [p+ ] Partícula composta
iniciadora de frase ("Pô aê, sei lá, brou").

Arroz: [ do fenício aquele que só acompanha] Sujeito que vive rodeado de mulheres, tem muitas amigas, é doido pra ficar com todas e não pega uma sequer. Sin.

Arame-liso: (cerca mas não machuca); mestre- sala (dança em volta, apresenta pra todo mundo mas não encosta e não deixa ninguém encostar).

À Vera: advérbio de quantidade. Ex: Comi à vera ontem. v.pacaraio.

A Vera: A Fischer. Velha, mas dá um caldo. Ex: Comi a Vera ontem. Ah, mas quem no Rio ainda não comeu?

B
Bagaray: [adj.] v. Pacaraio.

Bolado: adj. Condição de incompreensão momentânea ou preocupação em qualquer nível.

Bonde: 1. Ônibus. 2. Galera, turma.

Bucha: Indivíduo com marra de malandro mas que não passa de um tremendo prego; malandro coca-cola (só dar um sacode que ele perde o gás).

C
Caralho: 1. Interjeição ("Caralho!"). 2. [pa-] Advérbio de intensidade ("Em Blumenau estava frio pacaraio.").

Chabí: 1. [ttk] v. boiola

Coé: Aglutinação de qual é ("Coé, sangue?").

Conto: Unidade monetária sem plural ("Essa parada custa 10 conto").

F
Filé: 1. Mulher muito atraente, com um shape invejável. 2. Fisioterapeuta do Romário e do Ronaldinho.

Filhadaputa: 1. Interjeição genérica de descontentamento. Pode ser usada após qualquer acontecimento desagradável e/ou inesperado. 2. Adjetivo utitizado para humilhar, xingar, ofender aqueles que merecem. Ver fura-olho e juiz de futebol.

Foda: 1. Qualificação indicativa de dificuldade ("Aquela parada é foda!"). 2. Qualificação positiva indicando algo muito bom ("Aquela parada é foda!"). 3.Qualificação qu e indica algo impressionante ("Aquela parada é foda!").

Fura-olho: Fala-se do indivíduo que, incapaz de conseguir realizar o coito, vive de impedir o sucesso alheio. Ver filhodaputa.

I
Irado: 1. Qualificação positiva relacionada a um fato, ocorrência ou objeto ("O Enecom na Unisinos foi irado!").

L
Lance: 1. V. parada. 2. Substância líquida usada como entorpecente, exclusive bebida alcoólica.

M
Maluco: Cara; sujeito; indivíduo ("Eu não conheço aquele maluco")..

Mané: Otário; vacilão; prego; sujeito que pisa na bola.

Massa: Macarrão e similares. Não confundir com maneiro, paulista!

Mel: 1. Bebida alcoólica artesanal fabricada com cachaça e mel; melzinho. 2.[Ter mel] Qualidade de atrair a atenção sentimental
e/ou hormonal de fêmeas ("Aquele maluco tem mel"); v. pica-doce. 3. [malandrês] Sangue ("Levou um soco nos córneos e começou a escorrer mel do nariz").

Mermão: (masculino) 1. Aglutinação de meu irmão ("Aí, mermão, que parada é essa?")

Mó: Aglutinação de maior ("Ih, coé? Mó otário. Aê!").

P
Parada: Substantivo genérico ("Que parada é essa?", "Esqueci aquela parada em casa", "Preciso fazer uma parada").

Paraíba: Indivíduo nascido ou residente acima do paralelo que passa por Niterói.

Peidão: Covarde, frouxo, borra-botas.

Péla-saco: 1. Pessoa chata; piegas. 2. Puxa-saco; baba-ovo; rabiola. 3. V.arroz.

Pica-doce: [sin. Doce, pikachu] 1. Cara pegador. 2. Sujeito pra quem muitas mulheres dão mole. 3. Cara que arranja mulher sem tomar uma atitude, esperando que elas cheguem até ele.

Pipoqueiro: Qualidade aplicada ao indivíduo que costuma pipocar, v. peidão.

Popozuda: [ adj.] Fala-se da mulher que possui uma região glútea avantajada e/ou excessivamente acolchoada.

Porra: 1. Interjeição ("Porra!"). 2. Advérbio de intensidade ("Em Blumenau estava um frio da porra!"). 3. Substantivo indefinido
("Que porra é essa?"). 4. Em biologia, saporra é a mulher do sapo.

Porrada: 1. Coletivo genérico (multidão - uma porrada de gente; matilha - uma porrada de cachorros) 2. Sin. pacaraio.

Prego: [adj.] v. mané.

Puto: 1[adj.] qualifica um sujeito extremamente vacilão. 2. Unidade monetária ("Só eu que não ganho um puto" - Bingo da Amizade; Hermes e Renato).

S
Sacode: Ato caracterizado por várias pessoas se juntando para encher de porrada uma única.

Sangue: Redução de sangue-bom; pessoa legal; gente boa; agradável; maneira.

Sinistro: [adj] pode ser algo muito bom ou muito ruim. Quem não é carioca, que adivinhe. Ex: Mermão, aquela parada ontem foi sinistra!!

T
Tchola: (tchôla) v. boiola.

Tu: Segunda pessoa do singular dos pronomes pessoais do caso reto ("Tu viu", "Tu faz", "Tu é").

Z
Zero-bala: Renovado; pronto pra outra ("Tava de porre ontem, mas agora estou zero-bala.").

TERMOS COMPOSTOS:

Perdeu a linha: Fala-se do indivíduo que cometeu um ato inconseqüente/insensato ("Perdeu a linha e virou seis doses de tequila em meia hora").

Na mão do palhaço: Diz-se da condição das pessoas entorpecidas, não importa com qual substâncias ("Virou dez copos de pinga e agora está na mão do palhaço").

Tuesday, April 08, 2003

 
O descaso com nosso Garrincha

José Trajano, jornalista

O que mais me chamou a atenção, melhor dizendo me revoltou, no especial “Ulf, o filho sueco de Garrincha”, que a ESPN Brasil exibiu nesta semana, foi o abandono e o descaso com os nossos ídolos esportivos. Mané Garrincha está enterrado no cemitério de Pau Grande, lugarejo à beira da subida da serra de Petrópolis, em um túmulo pobre e abandonado. Na cidadezinha, o nome de Garrincha aparece numa escola municipal e no paupérrimo estádio de futebol. Mas o que desperta maior curiosidade é a pedra fundamental de um museu, que deveria ter sido construído anos atrás e que também levaria o nome do homem das pernas tortas. Fico imaginando o dia em que colocaram a placa com a inscrição “aqui será o Museu Mané Garrincha”. Políticos e autoridades locais devem ter feito a festa. A população, certamente, emocionada, compareceu em massa. Muita gente se aproveitou do prestígio do craque, faturou em cima e deixou como herança apenas uma pedra com uma placa, cercada de mato por todos os lados. Ulf, o filho de Garrincha, vive numa pequena cidade da Suécia. Desempregado, doente, vive às custas das benesses do estado. Possui carro e mora em uma casa confortável. Os quatro filhos estudam e ele não tem que se preocupar com isso. Em compensação, as filhas de Garrincha vivem em estado de penúria e mal tiveram tempo de passar por um banco escolar.

Faz 20 anos que Garrincha morreu. Se as coisas continuarem assim, tenho certeza de que daqui a alguns anos as novas gerações não ouvirão falar mais do Mané. Nem a pedra fundamental em Pau Grande irão encontrar. O país de Garrincha deveria ter o maior museu de futebol do mundo. Daqueles de fazer inveja a qualquer Guggenheim da vida. Como isso não acontece, a memória de nossos ídolos vai sendo jogada na lata do lixo dia após dia.

Sobreviventes etílicos

Juvenil de Souza [O Jornalzão, de Santa Rosa de Viterbo - SP]

Naquele tempo a gente bebia pinga, Fernet, rum com coca cola, quinado, ferro-quina, batidas, fogo paulista, licor de aniz estrelado, etc, etc, etc. Nosso fígado de então devia ser todo vermelho, saudável e capaz de digerir tanta porcaria de bebidas ruins. Naquele tempo a gente ainda vomitava após o porre de ponche, que era uma mistura de vinho, groselha, pinga e pedaços de maçã boiando. A gente dizia que o que fez mal era a maçã, que tinha enroscado na garganta. A ressaca, então, era formidável e não tinha remédio que curasse - uns faziam chá de boldo do Chile, outros tomavam uma cerveja Niger, chamada de "fogo de encontro". Poucos tomavam uísque, bebida cara e que não era fabricada no Brasil, só tinha importada. Gelo era difícil de conseguir e a cerveja era refrescada naqueles tanques de sorveteria. Elas eram amarradas num barbante e colocadas para resfriar. Vinham embaladas numa proteção de talos de arroz, como um isopor de hoje, e eram carregadas em sacos de estopa. Tomar chopp era um trabalhão danado - os barris eram de madeira e a bomba, empurrada com toda força barril adentro. Se o pessoal não tinha prática, perdia-se muito chopps, que se esparramava pelo chão e grudava na sola dos sapatos. O gelo era colocado em cima do barril protegido por serragem que isolava um do outro e não gelava nada. Era o famoso "chopp de casamento", quente, cheio de espuma e amargo. No outro dia, acabada a festa, a gente ainda podia pegar os pedaços de gelo que, protegidos pela serragem, não tinham derretido. Sobrevivemos a tudo isso e fomos acostumando com os amargores da bebida e da vida. Hoje, tomamos cerveja gelada, chopp com espuma medida, uísque com gelo de água mineral, mas não é nada como antigamente. Mesmo que fosse ruim, parece que antigamente é que as coisas eram boas.

Juvenil de Souza é abstêmio

Tuesday, April 01, 2003

 
Ataques Americanos
Eis aqui uma lista dos países que foram bombardeados pelos Estados Unidos após o fim da 2ª Guerra Mundial:

China - 1945-46
Coréia - 1950-53
China - 1950-53
Guatemala - 1954
Indonésia - 1958
Cuba - 1959-60
Guatemala - 1960
Congo - 1964
Laos - 1964-73
Peru - 1965
Vietname - 1961-73
Cambodja - 1969-70
Guatemala - 1967-69
Granada - 1983
Líbia - 1986
El Salvador - anos 80
Nicarágua - anos 80
Panamá - 1989
Iraque - 1991-.....
Sudão 1998
Afeganistão 1998
Yugoslávia 1999
Afeganistão 2001

PERGUNTA:
Em quantos destes países, os bombardeios e outras ações americanas fizeram emergir um governo democrático e respeitador dos Direitos Humanos? Escolha uma resposta:

(a) 0
(b) zero
(c) nenhum
(d) nem um só
(e) o número inteiro que fica entre -1 e +1