PROSOPOPÉIA

 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Friday, March 28, 2003

 
Somos pró-americanos confessos

Fernando Massote, Cientista político [massote@massote.pro.br]

Bagdad está se transformando no espectro de Stalingrado que tira o sono do stablishment norte-americano. Naquela cidade, em 1943, o exército hitleriano – o mais poderoso da história até então – entrou numa agonia que se prolongou por mais dois anos e alguns meses até a derrocada final. Foram cinco meses – de julho de 1942 à 31 de janeiro de 1943 – de uma batalha tremenda que instalou-se nas casas, escolas, ruas, fábricas, ruas e avenidas como uma renhida guerra de guerrilhas que matou 240 mil dos 330 mil alemães submetidos ao implacável “cerco de aço” dos soviéticos: dos 91 mil prisioneiros só 5 mil puderam voltar para casa depois da guerra; a luta foi feroz e a derrota alemã catastrófica.
George W(ar) Bush, seus comparsas e a política, interna e externa, que conduzem estão num beco sem saída ou à beira de um abismo de onde não se vê como escapar. A agressão ao Iraque está cada vez mais distante do sonhado passeio rápido dos marines pelas extensões desérticas do país. A marcha do exército – acompanhados de 30 mil soldados britânicos cuja presença é só um luxuoso adorno para camuflar a solidão norte-americana – sobre Bagdad se choca cada vez mais com uma oposição generalizada dentro e fora dos Estados Unidos.
O espectro de Stalingrado assusta com razão. A nova Stalingrado conta não só com um consistente front interno, iraquiano, mas com um enorme e desconfinado front externo, a começar pela oposição norte-americana à agressão. Um dos seus elementos propulsores mais poderosos é o distanciamento radical, desmiolado, que o grupo no poder nos EUA promove entre a política norte americana – interna e externa – e as fontes histórico-espirituais da democracia americana, que expulsou a Inglaterra colonial no século XVIII, inspirou a revolução francesa, combateu o sul escravista e filo-britânico com a Guerra da Secessão no século XIX e ajudou a derrotar a demência nazista no século XX. O capitalismo estadunidense, hoje representado pelo grupo Bush, está apagando, no interior dos Estados Unidos e no mundo, este farol prestigioso em que se apoiou até agora. Não podendo mais se apoiar na “luta contra o comunismo”, com o 11 de setembro, Bush e seus parceiros colocam no lugar dela a “luta da democracia contra o terrorismo”!... Com o apoio enérgico do Papa e de lideranças norte-americanas importantes como o ex-presidente Jimmy Carter, o mundo inteiro se levanta contra as mistificações, a corrupção, a arrogância e a violência. Carter defende a ONU, elogia o parlamento turco que negou apoio à agressão, afirma que a invasão destabilizará a região médio-oriental, recrudescerá o terrorismo contra os EUA e os isolarão entre os povos, países e governos. O historiador e ex-assessor especial do presidente Kennedy, Arthur Schlessinger Jr., denuncia que “a Doutrina Bush transforma-nos em juízes, júri e carrascos destinada a corromper a nossa liderança no mundo”. É assim que as deserções das forças norte-americanas multiplicam-se agora não tanto entre os militares, mas entre os homens de cultura, os artistas, as lideranças políticas, comunitárias, religiosas, militares da reserva e entre os diplomatas dos próprios Estados Unidos! John Brady Kiesling, Conselheiro Político da Embaixada dos EUA em Atenas, em ofício dirigido ao Secretário de Estado, Collin Power, renuncia ao seu posto de trabalho porque “não consegui reconciliar minha consciência com a minha capacidade para representar a atual administração estadunidense”.
A Globonews noticiou, na 4ª feira à noite, fatos clamorosos sobre os quais silenciou em seguida: a filha do vice-presidente Dick Cheney teria escapado junto com outros jovens para o Iraque com a intenção de tornar-se “escudo humano” contra as tropas do seu país! Alentados pelo quadro surpreendente desta reação auspiciosa, podemos repetir como o escritor alemão, Gunter Grass, que também “somos pró-americanos confessos”!

Thursday, March 27, 2003

 
Fantasiacs
Nesta sexta, 28 de março, às 22h, tem festa à fantasia no IACS – Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF. Vamos todos, galera do Condado das Laranjas!

Roleta Africana
O embaixador americano conversava com um diplomata africano, que elogiava os russos:
- Eles construíram uma hidroelétrica, aeroporto, nos ensinaram a tomar vodka e jogar roleta russa.
- Mas... roleta russa? É um jogo muito perigoso!!!
- Certo. Foi por isso que inventamos a roleta africana... Quer jogar?
- Não sei... Como é que se joga?
O diplomata africano bateu palmas e 8 lindas e deliciosas mulheres negras, todas nuas, chegaram rebolando.
Aí o diplomata africano disse:
- Escolha uma para lhe fazer sexo oral.
- Mas isso é bem melhor que roleta russa!
- É... Mas uma delas é canibal!

Frase do dia:
"Eu demorei 9 meses para nascer. Não será agora que terei pressa para fazer as coisas", Gianriccardo, o Gulliver, admitindo a hipótese de ir morar em Niterói no futuro.

Monday, March 24, 2003

 
Brasileirão 2003
Neste sábado, dia 29, começa o Campeonato Brasileiro de futebol, pela primeira vez disputado nos moldes dos campeonatos dos países europeus, com turno e returno e pontos corridos. Há muito os entendidos fazem coro por esta simples e justa fórmula de disputa. Afinal, premia a melhor equipe, a mais regular. Não fazia sentido o regulamento anterior, com um único turno e mata-mata na fase final. É um verdadeiro absurdo. Se o Cruzeiro pega o Atlético-PR na Arena da Baixada, por exemplo, também tem o direito de enfrentá-lo no Mineirão. Parece tão óbvio, não? Mas em se tratando de nossa cartolagem, tudo é possível. Impressionante a má qualidade do quatro de árbitros. (Vide a exdrúxula, ridícula arbitragem do senhor Samir Yarak, que quase conseguiu estragar a festa dos 80 mil torcedores que foram ao Maracanã assistir à decisão do Campeonato Carioca).
Apesar de tudo, o super Brasileirão deste ano – com duração de quase nove meses – tem tudo para ser excelente. Mesmo com o sucesso do mata-mata do ano passado, que permitiu que o Santos – oitavo colocado na primeira fase – chegasse ao merecido título nacional. Aos que acreditam que um time possa disparar na frente acabando com a graça do campeonato, sugiro uma análise da classificação final da primeira fase do Brasileirão 2002. O São Paulo terminou em primeiro, cinco pontos na frente do São Caetano, segundo colocado. Da 2ª a 8ª colocação, uma diferença de oito pontos. Vamos supor que este ano, ao final do turno, o mesmo aconteça. Bastaria, no returno, o Azulão vencer uma e o tricolor tropeçar para a competição embolar e ganhar emoção. Sem contar que os primeiros colocados deste ano serão premiados com vagas para outras competições importantes. Ha, o brasileiro gosta
de mata-mata... E quem não gosta? Para isso, temos a Copa do Brasil. Está mais do que na hora de termos um campeonato nacional com pontos corridos e dois turnos. Não é possível que nossos cartolas estejam com a razão esse tempo todo e o resto do mundo não. Que eu não queime a língua.

Ponza e Paulão: parece que caiu água na pólvora do Bala...

Monday, March 17, 2003

 
Ponza, uma realidade!
Quem não assistiu, perdeu. Ontem, nosso amigo Pedro Ponzoni foi o Comentarista por um dia do Mesa Redonda, debate futebolístico capitaneado por José Carlos Araújo, o verdadeiro Garotinho. Para a surpresa de muitos e alegria de todos, Ponza esteve tranqüilo, parecia um veterano ao lado de Gerson, o Canhotinha de Ouro. O destaque negativo ficou por conta da não citação da Galerinha por parte do Nipônico. De fato, Ponza, entre intermináveis goles d'água – ressaca de sábado? –, mostrou que dá pra comentarista. Nem mesmo a presença do presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, que recebe a alcunha de Caixa D'Água, inibiu nosso herói da noite de domingo. Ao fazer uma das perguntas ao Caixão, Ponzoni soltou um sonoro "pô". Ao final, ainda corrigiu o Garotinho por duas vezes, que o chamou de Jorge Ponzoni e disse que cursava o sétimo período de Comunicação da Facha. Se Gilsão ainda participasse do programa, certamente endereçaria o cartão vermelho da noite para José Carlos Araújo.

Frase do dia:
"O que resume a pesquisa é o verso de Zeca Pagodinho: Tá ruim mas tá bom", Chico Alencar, deputado federal PT/RJ, sobre o índice de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva.

Friday, March 07, 2003

 
E se eles tiverem razão?

Leonardo Boff [lboff@uol.com.br]

Todos estamos revoltados diante do poderio dos traficantes produzindo caos social no Rio de Janeiro. Queremos medidas drásticas, mas elas são apenas espalhafatosas. Meses depois volta a violência com mais ousadia e melhor articulação dos traficantes. À exceção de uns poucos observadores mais corajosos, as análises soem ser convencionais e pouco elucidativas. Mas importa ir à raiz da questão e encarar a verdade com honradez.
Qual é a verdade que não quer calar e que, pronunciada, nos acusa e que, por isso, tendemos a ocultar? É o reconhecimento de que os fatos ocorridos no Rio e alhures resultam de opções políticas que estigmatizam desde sempre nosso país. Fizemos um pacto social que não inclui a todos, com uma ordem, um Estado, políticas e leis que são válidas só para nós, os incluídos. Nesse pacto não cabem pelo menos 40 milhões de brasileiros. Pior ainda: obrigamos a esses excluídos a se inserirem nessa ordem e a respeitarem nossas leis. Muitos deles pensam: por que respeitar se não somos respeitados? Por que a comunicação conosco se faz pela violência, forçando-nos a obedecer e a funcionar como atores agregados ao projeto que atende aos interesses dos que nos consideram apenas joão-ninguém?
Tenhamos um mínimo de sinceridade: o que se fez de consistente em termos de políticas públicas para os milhões que moram nas favelas e nos fundões de nosso país? Há muita raiva e decepção no meio do povo para com os políticos e o Estado excludente. A ausência culposa do Estado criou um vazio que foi sendo preenchido pelos traficantes. Eles oferecem trabalho, renda, subsistência básica a milhares de jovens para os quais o Estado e a sociedade não oferecem nenhuma alternativa decente. Organizou-se entre eles outro pacto social, tácito, outra ordem, outras leis, o ''Estado'' bandido. Aí há lideres que ditam normas e praticam crimes injustificáveis.
Sem eufemismos, o que está ocorrendo agora é o enfrentamento das duas ordens. A ''outra ordem'' tomou consciência de quão injusta, corrupta e hipócrita é a ordem vigente, a nossa. É em nome dela que os policiais sobem às favelas, arrombando portas, batendo, atirando, humilhando pessoas, em sua maioria trabalhadora e inocente.
Para nosso escândalo, não foi exatamente isso que a Carta do Tráfico disse, em publicação do dia 25 de fevereiro? Nela se testemunha o que todos sabemos e tememos reconhecer ''que os verdadeiros marginais não estão nas favelas, nem atrás das grades, e sim, no alto escalão da política. Será que entre os presos deste país existe um que tenha cometido um crime mais hediondo do que matar uma nação de fome e na miséria? Então BASTA. Só queremos nossos direitos''. E a carta mostra confiança em Lula, pois confessa que ''as pessoas humildes e pobres só contam com o Sr. para sair desta lama''. E se eles tiverem razão?
Todos nos sentimos aliviados com a transferência de Fernandinho Beira-Mar. Pode ser perigoso, pois nos faz desviar a atenção sobre nós mesmos, causa decisiva, embora não única, da desgraça social que produz a marginalidade e os líderes do tráfico. Se não fizermos outro pacto social que inclua a todos, vamos ter, de tempos em tempos, caos social e paralelismo de duas ordens, ambas perversas, cindindo de cima abaixo o único país que temos.

Visite o site de Leonardo Boff: www.leonardoboff.com