PROSOPOPÉIA

 

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Thursday, January 30, 2003

 
A passionária amargurada

Milton Temer

Minha querida Heloisa Helena, senadora passionária do sertão. Entendo seu indisfarçável clima de amargura e decepção, em função do que se vem passando na área financeira do governo Lula. Tenho acordo integral com as críticas que você faz. E não só à política, como à esquizofrenia em que o ministro Palocci meteu o Partido dos Trabalhadores, não só a partir da manutenção da equipe Arminio Fraga no Banco Central como também por conta dos juros, superávits e outras cerejas menos espalhafatosas.

Mas penso que incide em equívoco quem limitar sua avaliação a esse lado do governo. Poderá estar vendo a árvore sem atentar para a floresta. Estará omitindo que, nesse mesmo gabinete de ministros, há também nomes como Miguel Rosseto, na Reforma Agrária, para não citar alguns outros, com quem os mais combativos podem não ter total sintonia, mas com quem marcharão juntos por muito tempo. E, se forem somadas a esses as boas surpresas na área de nossa política externa, você vai concordar que não é pouca coisa, diante do retrospecto dos debates internos, ao longo das seguidas quedas de asa para a moderação que vinham se registrando no PT.

Há um dado a mais, produzido no Fórum de Porto Alegre, para apontar a seta da esperança no sentido inverso ao que você a coloca em suas declarações. Que tal ouvir Tariq Ali, escritor consagrado e militante com audiência atenta em todos os plenários progressistas do mundo? Para ele, por conta da eleição de Lula, a América Latina se tornou a vanguarda da luta contra a globalização predatória, ora implementada pelo governo Bush. Por que terá dito isso, com assentimento de outros grandes pensadores da esquerda moderna - Istvan Meszaros, Noam Chomski, Samir Amin, Daniel Bensaid, apenas para lembrar alguns dos muitos que se expressaram no Fórum Social?

Terá dito isso por já antever que, independentemente de contradições internas, mas por força da conjuntura em que emergiu, Lula se viu alçado à condição de um dos contrapontos ao chefe do império. Não teria sido assim em 89, 94 ou 98. Pelo contrário; por conta da crescente hegemonia do neoliberalismo naquelas três oportunidades, um governo petista estaria sujeito a pressões insuportáveis. Eram tempos do ''fim da história'' e de rendição ao ''pensamento único''. Tempos que liquidaram doutrinas e utopias.

Não é o caso hoje, quando Lula sai de Porto Alegre para denunciar em Davos, santuário do grande capital, um mundo insuportável caso se mantenha a lógica que seus agentes vêm empreendendo contra as nações mais pobres. E mais; para dizer, numa clara referência à ameaça de Bush sobre o povo iraquiano, e sob aplauso de governantes franceses e alemães, que uma loucura é aceitável no indivíduo, mas inconcebível quando transformada em política de Estado.

Não é pouca coisa, minha querida Heloisa Helena. Por isso, o apelo: alinhe-se aos que querem ver os da esperança prevalecendo sobre os do medo, entre os agentes políticos do governo Lula. Há tempo e espaço para tanto.

Tuesday, January 28, 2003

 
Piada do dia:
A mulher compra um armário na Tok & Stok e decide montá- lo para fazer uma surpresa ao marido. Ela segue bem as instruções e, em meia hora, ela termina. Mas na rua passa um ônibus. O chao vibra, o armário treme, treme,e bruumm, se espatifa no chao.
A mulher nao desiste. Remonta o armário, segue todas as etapas, uma por uma, até acrescenta uma pontinha de Super-Bonder
aqui e ali. Pronto. Terminado. Mas logo passa o ônibus, de novo o chão treme, o armário balança, treme, treme, e se esfacela.
Ela nao agüenta, e chama o serviço de pós-venda da Tok & Stok. Um técnico chega no apartamento, olha tudo e diz:
- Deixa comigo, dona, que eu monto este armário em 15 minutos.
Em 15 minutos o armário está perfeito. Daí a pouco o ônibus passa, o chão vibra, o armário treme, treme, e se espatifa em mil pedaços.
- Ah, nao acredito nisso - diz o técnico.
Ele reinicia a montagem, com uma cola superforte, parafusos adicionais, uns pregos aqui e ali... Pronto, terminado. Mas basta o ônibus passar mais uma vez que o armário arrebenta outra vez. O técnico fica bravo. Não se conforma. Telefona para o departamento
técnico, pega algumas dicas, e remonta o armário, desta vez com todos os reforços possíveis. E, para descobrir o que realmente acontece quando o ônibus passa, ele decide ficar dentro do armário.
Nesse momento o marido ciumento volta do trabalho. Assim que ele entra em casa ele vê a caixa de ferramentas, os tocos de cigarro, o casaco do técnico, e fala para a mulher:
- Você está me traindo, tenho certeza. De quem é esse casaco? E estes cigarros? E este armário novo? Tenho certeza de que ele está dentro!
E ele abre o armário:
- O que o senhor está fazendo aí dentro?
- Eu sei que o senhor nao vai acreditar, mas estou esperando o ônibus!

Frase do dia:
"O que está havendo é uma inaceitável demonstração de fraqueza do partido, de não se apropriar de um momento tão belo para viabilizar as mudanças profundas de que o Brasil precisa e que o PT prometeu em seu programa", Heloísa Helena, senadora do PT-AL, pronta para enfrentar seu próprio partido.

Tuesday, January 21, 2003

 
Choppada e Churrascão noturno
É, galera... Esses últimos dias a rapaziada resolveu enfiar o pé na jaca, ou literalmente derrubar os cones, como queiram. A esbórnia começou na quinta, dia 16, na Choppada de Comunicação da UFF. Estiveram presentes no evento nosso Ponza, vulgo Gollum; Paulão; Bê; Zé Muquirana; Gian, o Gulliver e Thais Maluca. Todos se embriagaram no sucesso da Cristal gelada e sairam de lá mais românticos e dóceis. Até que na ponte veio o contratempo, segundo Gian. Nosso Paulão, curtindo uma de Montoya, resolveu derrubar um cone. Revoltado com a imprudência do companheiro, que dirigia em alta velocidade, Zé Quental decide escancarar de vez: abre a porta do Gontamóvel em cima de outro cone. Foi a senha para muita discussão, com a mediação sempre pertinente de Ponzoni.
No sábado foi a vez do churrascão an(u)al do Zuzu. Desta vez, a novidade ficou por conta do péssimo horário do evento: 19h. O bom foi que o Paulinho nos privou de seu mau humor a maior parte do tempo, ficando trancado em seu quarto com sua esposa. (Como será que ela suporta?) Mesmo assim, Zuzu deixou suas marcas na geladeira da casa. O recado resumia bem o espírito do nosso amigo: "Não entre! Não abra! Não mexa!". Abaixo era possível ver uma ridícula caveirinha. Claro que a galera não deu a mínima para o recado e botou as cervas para gelar no freezer. Nosso Falina apareceu com mais uma novidade etílica: a indefectível – gostou, Paulão? – vodka preta.
Recado para o Gonta: vai empacar a foda na casa do baralho!

Tuesday, January 07, 2003

 
Que absurdo!
Tá tudo aumentando, galera!!! Como se não bastasse o absurdo preço da cerva, hoje fui comprar um chocolate numa banquinha aqui no Centro e paguei 10 centavos a mais pela guloseima... Explique isso, economista Bernardo!

Notícia de última hora:
Agora estou morando em Nikiti, com três parceiros. O apartamento ainda não tem telefone, portanto, quem quiser falar comigo deve ligar para o celular. Fui claro?

Uma homenagem à volta de Sérgio Mallandro...

O Escândalo
(Donaldson / Brown - Versão de Renato Barros)

Conheci,
Um capeta em forma de guri.

De uma família, Tradicional,
Surgiu um menino,
Que era infernal,
Seus primeiros passos,
Ainda neném,
Já foram butinadas,
Na canela de alguém.

Mas conheci,
Um capeta em forma de guri,
Conheci,
Um capeta em forma de guri.

Crescendo o menino,
Pra escola entrou,
De cara feia logo,
A professora olhou,
No meio da aula,
Num teco fatal,
Mandou um coleguinha,
Logo para o hospital.

Mas conheci,
Um capeta em forma de guri,
Conheci,
Um capeta em forma de guri.

E depois da aula,
Na bola, era o tal,
Quebrar as vidraças,
Pra ele era normal,
Mas num belo dia,
Por perder um gol,
Botou fogo na casa,
E depois derrubou.

Mas conheci,
Um capeta em forma de guri,
Conheci,
Um capeta em forma de guri.

Aos dezoito anos,
Resolveu namorar,
Pois seu coração,
Queria se apaixonar,
Um lindo brotinho,
Ele conquistou,
Mas no primeiro beijo,
Os dentes dela quebrou.

Mas conheci,
Um capeta em forma de guri,
Conheci,
Um capeta em forma de guri.

Friday, January 03, 2003

 
E a esperança invadiu o Planalto...
Fala rapaziada! Aqui estamos, depois de um breve recesso de muita festa. Acabo de chegar de Brasília onde participei, junto com o Gianriccardo, da posse de Lula. Tirando alguns fatores negativos - como o "companheiro" Luiz Carlos, o "dono" da excusão - a viagem foi ótima.
Após comemorarmos o reveillon na cidade satélite de Gama e, mais tarde, em um bar de altíssimo nível em Taguatinga, fomos descansar pouco para acordarmos cedo no dia 1º. A grande festa estava por vir. Tão logo desembarcamos na Esplanada, nos deparamos com figuras de todo o tipo. Tinha até uma simpatissíssima Emília, a boneca de pano. Depois de um verdadeiro périplo nos caminhos do Poder chegamos ao palco principal, onde a dupla Zezé Di Camargo e Luciano soltava suas afinadas vozes e nos
fazia relembrar da primeira namorada e da professora do jardim. Foi durante o show de Neguinho da Beija-Flor que faturei de graça uma Skol geladinha de umas "parceiras" brasilienses. Uma delas, muito gatinha, perguntou se nosso amigo Gian tinha namorada. Gian disse que sim e a menina o expulsou de seu guarda-chuva. A chuva não chegava a incomodar, mas nosso Pequeno Polegar já começava com suas cholices, cuidando de colocar uma indefectível capinha roxa.
Hora da chegada de Luiz Inácio. Frisson na Esplanada. O Rolls Royce passou e só consegui ver o braço do presidente. O povo, enlouquecido, pulava a grade de proteção após a passagem de Lula rumo ao Congresso. O lago em frente ao prédio logo foi invadido por militantes. Ficamos horas esperando Lula parecer e, quando o fez, logo seguiu para o Palácio do Planalto. Só consegui ver o presidente no trajeto final que fez na Esplanada dos Ministérios. Homens, mulheres, jovens e crianças se espremiam, gritavam, sorriam, choravam. Em cima do histórico Rolls Royce estava o homem capaz de trazer ao povo brasileiro a esperança de viver em um país mais justo. Valeram as 40 horas que passamos dentro do ônibus! Lula chegou lá! Agora é com a gente!